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quarta-feira, 22 de junho de 2016

ÚLTIMO MÊS DE SEDE DAS CIAS



Dia 1º de Junho a Sede das Cias encerrará suas atividades após 3 lindos anos, onde fomos reconhecidos por ser um Teatro referência em projetos de experimentações artísticas e performance. Recebemos companhias de diversos lugares do país (e de fora!), espetáculos renomados, consagrados e também experimentais, sendo alguns o primeiro trabalho de um grupo. 

Tivemos oficinas gratuitas mensais. Tivemos mais um monte de oficinas incríveis, para todos os gostos, linhas e bolsos: de crítica teatral à corpo, passando por direção, atuação e até roteiro.

Tivemos belíssimos projetos, tais como: Jardins Portáteis, Maratona na Sede e agora, a Mostra Solos Na Sede, entre outros.

Abarcamos poesias, encontros e até movimentos político-artísticos fundamentais. 

Tivemos nossas festas, nossos encontros. E muitos, muitos outros encontros e parcerias e amizades e amores saíram de tudo isso. Sempre tornando possível a aproximação de platéia / artistas / criadores / pensadores. 

Berço de projetos. Casa de realização. Lugar de sonho e realidade. De aproximação. De batalhas. De homenagens, como a inauguração da Sala Bel Garcia, em homenagem à grande atriz e diretora Bel Garcia, da Cia. dos Atores, que nos deixou precocemente. 

Agradecemos de corpo e alma à todos que mantiveram acesa a chama da nossa Sede. E continua... Ainda não acabou!!!

Acompanhe a nossa programação de junho, que conta ainda com 2 apresentações de BANDIDA (hoje e amanhã) às 20h; com o último solo da MOSTRA SOLOS NA SEDE, com o monólogo MEU CARO AMIGO, com a atriz Kelzy Ecard e direção de Joana Lebreiro (sábado, domingo e segunda; sem falar na nossa FESTA DE 3 ANOS DA SEDE DAS CIAS, no dia 1º de julho!

Esperamos vocês. Venham ocupar a Sede com amor!!!









sexta-feira, 15 de abril de 2016

AGUSTINA GATTO MINISTRA OFICINA E ESTREIA ESPETÁCULO DE SUA AUTORIA NO RIO DE JANEIRO

Agustina Gatto, dramaturga e diretora argentina premiada, responsável por peças como “La Pendencia”, “Buscado”, “Revelación”, “Rodeo”, “Ifigenia en”, “Algo sobre una Pareja y un Hijo”, cujas obras foram apresentadas na Argentina, no México, no Chile, em Cuba, está agora na Sede das Cias ministrando uma oficina de dramaturgia. O prazo para as inscrições foi extendido até HOJE! Então, corre lá que ainda dá tempo.



A Oficina “Recursos para uma Nova Escrita Dramática (NED)” com Agustina Gatto acontecerá de 19 a 21/04 aqui na Sede das Cias, em 3 encontros de 3h30 de terça a quinta, das 10h às 13h30 e 
custa R$ 300,00.  Para se inscrever, envie um e-mail para sededascias@nevaxca.com.br
com currículo e foto em anexo. O público-alvo da oficina é de autores, diretores, atores, produtores e estudantes de teatro.

Recomendamos que os alunos tenham lido/visto os seguintes materiais:
  • Édipo Rei, de Sófocles (Teatro)
  • Old Boy, Park Chan-Wook (Cinema)
  • Hamlet, W. Shakespeare (Teatro)
  • House of Cards, Beau Willimon - Episódio piloto (Série)
  • Dollhouse, H. Ibsen. (Teatro)
  • Mad Men, Matthew Weiner - Episódio piloto (Série)

A oficina de escrita dramática propõe uma visão contemporânea sobre o ofício do autor. Consiste em historicizar esta escrita desde o teatro grego, passando pelo cinema, até as séries de TV atuais. Serão realizadas análises de textos importantes da história da dramaturgia para compreensão e aplicação das suas técnicas de escritura. 



Seu texto BUSCADO, que entrará em cartaz de 22 de abril a 12 de junho no Oi Futuro Flamengo, recebeu prêmio no Concurso Nacional de Dramaturgia do Instituto Nacional Del Teatro (INT), em 2007, na Argentina. 

Visite a página do espetáculo AQUI
Para saber mais informações da temporada de BUSCADO, você também pode acessar o evento AQUI.



sábado, 7 de novembro de 2015

Em cartaz na Sede das Cias: Está à venda o jardim das cerejeiras



Espetáculo baseado em clássico “O Jardim Das Cerejeiras”, de Tchekhov, está em temporada aqui na Sede das Cias.




Foto: Larissa Elias/Divulgação


O espetáculo Está à Venda o Jardim Das Cerejeiras“ é constituído por quatro atos.As profundas transformações sociais e econômicas vividas na Rússia ao final do século XIX são o pano de fundo da peça, que estreou nesta quinta-feira (05/11), às 20h, aqui na Sede das Cias. Com direção e dramaturgia de Larissa Elias e Vanessa Teixeira (também assinando o texto) o espetáculo é baseado no clássico “O Jardim Das Cerejeiras”, do russo Anton Tchékhov (1860-1904).



Encenada em quatro atos, a montagem chega ao ápice no terceiro, durante um baile. Liubov, a dona do jardim do título, organiza o evento para promover o leilão da propriedade. Após todos os lances serem dados, Lopakhin, o filho de um antigo “servo” do jardim, é anunciado como o vencedor da corrida pela compra do latifúndio, um claro sinal dos novos tempos no país do leste europeu.


Ao traçar um paralelo entre a Rússia do fim do século XIX e o Brasil de hoje, Os Cênicos Cia. de Teatro reestruturam o texto de Tchekhov segundo uma lógica de pensamentos, de sensações, de não-ditos, de inquietações, de dores, de recordações, de paisagens e imagens intraduzíveis, que não corresponde à ordem cronológica da ação presente no drama. A versão original de P. Brook e Meierhold também serve como inspiração estética para a direção de arte do espetáculo.

Conheça a página do espetáculo: AQUI
Informações sobre a temporada: AQUI

Assista ao teaser:

video

domingo, 20 de setembro de 2015

ENTREVISTA COM JULIANA PAMPLONA - DIRETORA E AUTORA DE "DOMÍNIO DO ESCURO"

Conversamos com a dramaturga e diretora Juliana Pamplona sobre o espetáculo DOMÍNIO DO ESCURO, que fez uma temporada  de sucesso aqui na  Sede das Cias até o dia 18 de setembro. Tanto texto quanto direção são assinados por ela. Mas a conversa foi além. Que bom. Disfrutem...


Juliana Pamplona - acervo pessoal


Laura Limp: Oi, Juliana, tudo bom? Você já tem muitos trabalhos como dramaturga, inclusive, assinou como dramaturgista no último espetáculo da companhia Os Dezequilibrados: "Beija-me como nos livros". Como é isso? Qual a diferença de dramaturga pra dramaturgista? 

Juliana Pamplona: Olá, amiga. Vamos nessa! De modo resumido, “dramaturgo” é quem escreve peças teatrais. Se formos mais rigorosos com o termo, seria quem escreve peças a partir de certas convenções do drama. Há quem prefira usar o termo “autor teatral” para se referir aos escritores de textos teatrais não dramáticos. Dramaturgista (ou dramaturg) é uma função no teatro ligada à pesquisa, discussão de ideias, conceitos e sentidos implicados no processo de uma montagem. Muitas vezes o dramaturg é definido como um “critico interno”. Assim como o trabalho do autor teatral, o trabalho do dramaturg/dramaturgista pode variar muito de acordo com cada proposta, ele atua em sintonia com as necessidades de cada projeto, coletivo, direção. Acho legal falar sobre isso porque são termos muitas vezes confundidos. Eu adorei trabalhar com os Dezequilibrados no "Beija-me como nos livros". Foi um processo de pesquisa teórica muito intenso, e de conversa e troca sobre os sentidos implicados nessa criação. A dramaturgia do “Beija-me” (em gromelô) é do Ivan Sugahara com a colaboração dos atores Ângela Câmara, Claudia Melle, José Karini e Julio Adrião e da Lívia Paiva (que fez a assistência de direção). Algumas vezes foi divulgado como se a dramaturgia fosse minha porque alguns revisores não familiarizados com o termo “corrigem” automaticamente a palavra dramaturgismo para dramaturgia, ou dramaturg para dramaturga/o. 


L: Atenção revisores! (risos) Bom, o que mudou ao longo dos anos na sua escrita, na sua forma de enxergar o teatro e de escrever?

J: Na verdade tenho poucas peças teatrais inteiras, tenho mais exercícios e proposições híbridas. As peças longas que considero concluídas são: “Tipo de coisa que se perde fácil”, “Fora da máquina de lavar”, “Entre análises”, “O céu sueco” e “Domínio do escuro”. Acho que nas minhas primeiras peças eu era menos consciente como autora das suas possibilidades de inventividade formal. Essa é a maior diferença. Eu gosto da experimentação na escrita, gosto de não saber tudo sobre as questões que estou pesquisando, dos laboratórios práticos nesse lugar de investigação. É como enxergo o teatro que eu faço hoje/quero fazer. Quero que seja um campo para experimentação. Procuro processos de trabalho e questões que não estejam resolvidas à priori, que possam me transformar.



B – (B faz anotações numas folhas) Como você está se sentindo hoje?
A – Como uma pessoa traída… O tempo me traiu. Agora. Neste instante. O tempo está me traindo. (A é empurrada. Cai e se levanta como se estivesse acostumada) é como… (Tentando ser compreendida. Explicativa. Desiste.) eu me sinto.
                                                                 (trecho do texto "Entre Análises") 


L: Essa é a primeira vez que você dirige uma montagem. Como foi a experiência? Foi mais fácil ou mais difícil do que você imaginava?

J: É muito difícil! Mas eu pude contar com uma equipe muito boa. Tive a alegria de trabalhar com profissionais talentosos que entraram acreditando no projeto e para somar. A equipe toda foi muito parceira. Quando digo que é minha primeira direção é porque, de fato, é a minha primeira montagem. Isso de orquestrar diferentes funções foi uma experiência nova pra mim. Mas tem muito nessa direção de cena de Domínio do escuro que é uma continuidade de anos dirigindo os laboratórios práticos na UNIRIO (entre 2007 e 2014), o Desestabilizadores de cena, entre outros. O Domínio do escuro tem jogos cênicos que eu só pude propor porque eu havia amadurecido alguns caminhos nos laboratórios nos anos anteriores. A parte mais legal de dirigir é poder falar para os atores coisas do tipo: “nessa cena vocês não são pessoas, são imãs” e ser compreendida. A linguagem é muito misteriosa... 


foto do espetáculo "Domínio do Escuro"


L: De onde surgiu a ideia/vontade de fazer  DOMÍNIO DO ESCURO? Como começou? 

J: Surgiu, em parte, de uma vontade de fazer algo em que o processo em si envolvesse encontros potentes e transformadores. Por isso as entrevistas, que são também registros de um pedaço da nossa história e exige encontro, diálogo. As conversas com a Barbara Hammer também foram muito importantes. 


Barbara Hammer
Fotos do arquivo pessoal de Luiz Sérgio
Em 2013 eu fiz uma assistência de produção e alguma pesquisa para o longa metragem dela sobre a Elizabeth Bishop, Welcome To This House, que vai estrear no Brasil no Festival do Rio esse ano. Eu acabei conhecendo um pouco o trabalho da Barbara nessa época, vi o Maya Deren’s Sink e o Nitrate Kisses. E ela me contou que as primeiras exibições do Nitrate Kisses em NY chocaram a comunidade gay, não porque havia cena de sexo entre gays, mas porque eram cenas de sexo entre idosos! Teve casal de jovens homossexuais saindo no meio da sessão escandalizado. Ou seja, é preciso mexer nesse preconceito, esse pânico social com o envelhecer. Há muito tabus em relação à sexualidade e a velhice. Essa conversa com a Barbara me fez pensar que, estranhamente, eu não conhecia quase nenhum idoso gay, e é claro que eles existem em toda parte. Porque não estavam visíveis? Porque as histórias dessas pessoas não chegam à nós? Que legado está sendo silenciado e por que e qual a importância de ter esses registros? Foram essas as indagações que me motivaram a fazer o Domínio do escuro.



L: O desenvolvimento do texto foi feito junto com os atores? A pesquisa também?

J: Eu escrevi o texto ao longo do processo laboratorial e de ensaios, para mim foi importante desde o início trabalhar com atores-pesquisadores. Tem muito das colaborações dos atores na peça inteira, principalmente por ter sido um processo laboratorial, investigativo, mas eu não dividi a responsabilidade pelo texto, as funções são bem definidas. A Clarisse Zarvos e a Lívia Paiva participaram das entrevistas com os idosos, o Pedro Henrique Müller entrou um pouco depois no processo mas também acabou conhecendo alguns dos entrevistados a posteriori. Eu considero pesquisa todo o processo, inclusive os ensaios onde nós pesquisamos e criamos a linguagem cênica. Há desenhos de cena que só poderiam ter sido criados nesse processo com a disponibilidades dessas pessoas específicas. E muito do material de cena que levantamos junto não entrou, porque esse tipo de processo é assim. Mas confesso que sou controladora em relação as palavras do texto. Há muito intertexto – uso Ali Smith, Siri Husvedt, Michael Foucault, E. E. Cummings, João Pedro Arruda (Bustanga), Roland Barthes, etc.; há referências à filmes, etc. –  então parte do meu trabalho foi fazer a curadoria dessa colagem, adaptações, definir esses diálogos. Sou controladora até com o intertexto. De qualquer maneira, escrevi todas as cenas da peça em algum momento do processo em casa, isolada, a partir das muitas histórias que ouvi nesse período, as entrevistas, a pesquisa teórica, o material de improvisação dos atores nos ensaios, o material que serviu de intertexto e também da minha própria criação ficcional. Mesmo nesse processo híbrido ainda precisei desse modo de produzir texto, editar, revisar, mais solitário. O que acontece agora (nessa primeira temporada) é que eu peço aos atores um certo rigor com determinadas cenas nas quais a precisão de palavras que para mim são mais inegociáveis, mas há outras cenas em que eles falam frases que partiram de improvisações deles que foram ficando, e há ainda trechos na peça em que eles podem improvisar a cada dia (bem pouquinho. rárá) porque essa margem de liberdade é importante para que o jogo fique vivo. Mas confesso que prefiro a precisão em relação às palavras e ritmo das falas. Talvez numa próxima temporada eles tenham uma surpresa. Ou eu.

foto: Bruno Mello

L: Por que a escolha específica de três performers de até 25 anos, identificados com questões LGBTTQs para o elenco? 

J: Tem a ver com a premissa intergeracional do projeto. Os entrevistados estão idealmente na faixa dos 70 ou 80 anos. Esse gap entre duas gerações no limiar de seus anacronismos dá a ver as diferenças de um modo mais dramático. O tempo e as mudanças ou pontos de estagnação ficam em evidência. Então a escolha por atores na faixa dos 20 se justifica de modo relacional. Essa distância define conceitualmente o trabalho, é preciso fazer uma ponte maior para que esse diálogo se dê e isso me interessa muito.

A identificação com as questões LGBTTQ é porque, a meu ver, não há como fazer um projeto desses de modo burocrático, eu queria fazer uma peça com pessoas tão apaixonadas pela ideia quanto eu. As questões tem que ser relevantes para quem faz, já é um processo muito utópico e suado, esse de juntar gente para fazer uma peça, então tem que ser minimamente significante para os envolvidos. 

foto de cena - "Domínio do escuro"


L: Como está sendo a recepção do público? Quais as reações?

J: Tem sido muito surpreendente (pra mim). O teatro tem estado cheio, algumas sessões lotadas, mesmo nesses dias difíceis para o teatro, de quarta à sexta. As pessoas falam coisa bonitas depois da peça, algumas voltam para ver de novo, outras choram (mas não é culpa nossa, choram por conta própria). Só vi uma pessoa dormir durante o espetáculo até hoje, e soube de outra que ficou bastante irritada com alguma cena – se mexia e resmungava muito – , mas eu não consegui identificar o que. Tem uma coisa – e aí é uma observação pessoal – que eu sempre quis fazer e nunca consegui nas peças anteriores que acabavam sempre meio mal: o Domínio do escuro fala de questões muito duras, mas não joga o espectador no fundo do poço. Se joga, - talvez jogue sim – também resgata. Eu considero esta uma peça alegre, acho que ela também convida à um empoderamento. O público da Sede tem sido muito legal. 

L: Depois da Sede, vocês pretendem levar o espetáculo para outros espaços? 

J: Sim. Nós vamos fazer a circulação nas lonas culturais e arenas no Rio de Janeiro no ano que vem. Isso está certo. Mas queremos muito fazer mais uma temporada antes disso. Estamos procurando pauta. 

L: E quais são seus futuros projetos? Algo em mente?

J: Estou desenvolvendo uma pesquisa no Pós Doc na UFRJ que é também a escrita de uma peça-ensaio a partir de alguns conceitos da teoria queer. E estou começando um projeto teatral, que é da Fernanda Avellar, e que vou fazer como diretora. É a peça “O Corpo da mulher como campo de batalha” do Matéi Visniec (O título original é “A Mulher como campo de batalha ou Do sexo da mulher como campo de batalha na guerra da Bósnia”). Essa vai ser a minha primeira direção de um texto que não é meu. É um projeto que exige uma pesquisa difícil, fala de racismo, preconceito étnico, crueldade e estupro de guerra etc. Exige um posicionamento feminista, humanista, complexo. A ideia é intervir no texto do Matéi, atualizando e deslocando essas questões para as urgências do nosso contexto, falar de um lugar assumidamente parcial, criar um dialogo junto e em tensão com o texto original.

J: Obrigada, Laura! Adorei as perguntas, foram ótimas para pensar o processo e tudo mais.

L: Quê isso, Juliana. Foi um prazer desgraçado, como sempre!




foto de cena "Domínio do escuro"





DOMÍNIO DO ESCURO - FICHA TÉCNICA


Direção e dramaturgia: Juliana Pamplona

Elenco: Clarisse Zarvos, Lívia Paiva e Pedro Henrique Müller

Cenário e Figurino: Elsa Romero
Iluminação: Lara Cunha

Preparação Corporal: Duda Maia

Vídeo: Pedro Modesto

Trilha Sonora: Jonas Sá

Programação Visual: Clarice Pamplona
Produção executiva: Clarisse Zarvos e Marina Gadelha
Direção de Produção: Fernanda Avellar
Realização: Trestada Produções
Fanpage do espetáculo no Facebook: AQUI





:: :: Juliana Pamplona é autora e diretora teatral e pesquisadora na faculdade de Letras da UFRJ através do Pós-Doc da FAPERJ Nota 10 e do PACC. Bacharel em Teoria do Teatro (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO) e doutora pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas na UNIRIO, foi também pesquisadora visitante no departamento de Performance Studies na NYU (New York University, 2012.2) através da CAPES/PDSE. Teve o seu projeto “Desestabilizadores de Cena” contemplado com a bolsa de pesquisa e criação artística da Secretaria de Cultura – RJ (2011), resultando na peça de sua autoria “O céu sueco”. Ministrou as oficinas curtas “Sesc Dramaturgia: Leituras em Cena” (entre 2009 e 2013) no Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e Santa Catarina. Fez o dramaturgismo da nova peça da Cia. Os Dezequilibrados, “Beija-me como nos livros”, e está em cartaz atualmente com a peça “Domínio do escuro” contemplada pelo edital LGBT da Secretaria Municipal de Cultura – RJ, da qual é idealizadora, diretora e autora.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

"CONSERTAM-SE IMÓVEIS" ESTÁ CHEGANDO NA SEDE



Confira a matéria que saiu no BLAH CULTURAL sobre o espetáculo Consertam-se Imóveis, que re-estreia aqui na Sede das Cias no dia 22 de agosto.


‘CONSERTAM-SE IMÓVEIS’ FLERTA COM O ESTRANHO E O FANTÁSTICO 

por Giselle Costa 

O texto de Keli Freitas aborda as narrativas que mantém as relações familiares. 

Partindo de um acontecimento traumático, a perda da figura materna, e livremente inspirada em obras literárias e cinematográficas que abordam este universo, Keli Freitas escreveu o espetáculo Consertam-se Imóveis, que está em cartaz no Rio de Janeiro. Com direção de Cynthia Reis, a trama tem como principal eixo o sistema familiar e acompanha os últimos momentos de vida da mãe idosa e enferma. Ao se verem diante de situações inesperadas e de um iminente colapso, todos os membros da família se articulam em desdobrados esforços para poupar a matriarca de sobressaltos que podem ser fatais. 



Como determinadas situações são impossíveis de serem controladas, certos acontecimentos escapam do roteiro inicial, obrigando os irmãos a investir em mudanças justamente para que nada entre aquela família mude. Apesar da existência de um flerte com o estranho e o fantástico, Consertam-se Imóveis causa uma identificação imediata por parte do público, que consegue ver e enxergar suas próprias relações familiares no desenrolar da trama. Ao longo de 90 minutos, o espetáculo promove reflexões de ordem social, humana e também filosófica, investigando um universo comum à todos nós. 





:: SERVIÇO 

Temporada: 22 de agosto a 21 de setembro*
*excepcionalmente não haverá apresentação no sábado 29/08
Local: Sede das Cias 
Rua Manuel Carneiro, 12 - Escadaria Selarón – Lapa
Informações: (21) 2137-1271 (a partir de 14 horas)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Horário: sábado a segunda, às 20h 
Duração: 80 minutos
Gênero: Comédia dramática
Capacidade: 60 pessoas
Classificação: 14 anos
Lotação: 60 lugares
Bilheteria: diariamente, 1 hora antes do espetáculo

sábado, 8 de agosto de 2015

VEM AÍ NA SEDE DAS CIAS: DOMÍNIO DO ESCURO



Dia 26 de agosto, estreia na Sede das Cias o espetáculo “Domínio do escuro”, que mistura relatos reais de idosos homossexuais e ficção.

                                                  Dominio do Escuro (foto: Renato Mangolin)
Confira a matéria que saiu no SOPA CULTURAL:
“Um dia estava almoçando com a minha avó e perguntei se ela tinha algum amigo ou conhecido homossexual. Silêncio, em seguida interrompido pela resposta: “Não me lembro de ninguém”. Insisti: “Ah, vó, que pena, estamos pesquisando esse tema”. De novo um silêncio interrompido pela revelação: “Minha irmã era”. E então, com a voz embargada, me contou sobre como minha tia-avó, Leila, que fora uma jogadora famosa de vôlei, sofria de uma ‘enfermidade’ que teve de esconder para não atrapalhar sua carreira ou sujar a reputação da família. O final não é feliz. Leila, ainda moça, se internou num hospital psiquiátrico. Logo depois faleceu, levando com ela todo o peso de estar errada e desconforme com a sociedade em que vivia. O pouco que sabemos da história da minha tia-avó é repleto de hipóteses de ‘talvez’ e ‘eu acho que ela…’. O que não sabemos está para sempre silenciado.”


Histórias como essa contada pela atriz Lívia Paiva (23 anos), resgatadas ao longo do processo de pesquisa da peça, justificam a importância do projeto, segundo a dramaturga e diretora Juliana Pamplona, idealizadora do espetáculo “Domínio do escuro”, com estreia marcada para o dia 26 de agosto na Sede das Cias, na Lapa. Trata-se de um documentário poético teatral. A dramaturgia foi criada a partir de registros antigos – fotos, slides, desenhos e cartas – e depoimentos gravados de idosos homossexuais, dos quais muitos tiveram suas histórias silenciadas em algum momento da vida e quiseram, agora, deixar seus relatos. “A ideia inicial foi a de resgatar e produzir registros de um legado que não chegou até nós. Conversamos com os idosos sobre assuntos diversos como amor, medo, vergonha e sexualidade. Foi muito interessante esse encontro de gerações – entre os oito idosos entrevistados, quase todos na faixa dos 70 e 80 anos, e os atores da peça, todos com vinte e poucos anos. Foi uma troca muito rica”, diz Juliana. “A escolha de juntar essas duas gerações nesse projeto não foi à toa. A peça é, também, uma pergunta (em aberto) à nova geração sobre o que significa assumir modos de ser e de se relacionar que resistem aos padrões normativos hoje e de que maneira a discussão de sexualidade e de gênero atravessa suas projeções de futuro, seus desejos de mundo. Foi por meio da interseção entre essas projeções de futuro e memórias, que o material poético e estético de “Domínio do escuro” foi criado”, complementa.

Três jovens atores – Clarisse Zarvos, Lívia Paiva e Pedro Henrique Müller – levam à cena versões performatizadas desse material documental. “Falar de desejos silenciados de uma geração distante da minha é visitar memórias e atualizar uma infinitude de afetos. O amor entre pessoas do mesmo sexo há alguns anos representava um tabu maior do que representa hoje, mas que nem de longe está superado. Quais situações impensáveis e silenciadas atualmente serão resgatadas pelas gerações seguintes?”, questiona a atriz Clarisse Zarvos, de 25 anos. O espetáculo conta também com a criação de videografismos produzidos por Pedro Modesto e trilha sonora de Jonas Sá, recursos fundamentais para que as histórias fossem contadas na forma performática desejada para a forma da cena.
“Domínio do escuro” é uma resposta (em aberto) a uma dívida histórica, que faz com que, ainda hoje, haja uma ausência enorme de narrativas de idosos gays e lésbicas (além de outras identidades de sexualidade antes não classificáveis e que vêm ganhando visibilidade). A criação desse espaço cênico dá visibilidade a histórias desviantes que, de outro modo, seriam apagadas muito em breve, acumulando mais legados invisíveis à margem da história normativa. 
Unindo investigação artística ao compromisso com uma dívida histórica, “Domínio do escuro” estará em cartaz de 26 de agosto a 18 de setembro, às quartas, quintas e sextas, sempre às 20h, na Sede das Cias., que fica na Escadaria Selarón, no boêmio bairro carioca.
Ficha técnica:Direção e dramaturgia: Juliana Pamplona
Elenco: Clarisse Zarvos, Lívia Paiva e Pedro Henrique Müller
Preparação corporal: Duda Maia
Cenário e Figurino: Elsa Romero
Iluminação: Lara Cunha
Vídeos: Pedro Modesto
Trilha Sonora: Jonas Sá
Programação Visual: Clarice Pamplona
Produção executiva: Clarisse Zarvos e Marina Gadelha
Direção de Produção: Fernanda Avellar
Realização: Trestada Produções 
Serviço:Local: Sede das Cias (Rua Manuel Carneiro, 12 – Escadaria Selarón – Lapa)
Data: De 26 de agosto a 18 de setembro
Horário: de quarta a sexta, às 20h
Ingressos: R$ 20 reais a inteira, R$ 10 reais a meia
Duração: 70 min.
Gênero: Documentário LGBTTQ
Classificação: 16 anos
Lotação: 60 lugares
Informações: (21) 2137-1271 (a partir de 14 horas)
Bilheteria: diariamente, uma hora antes do espetáculo Informações: (21) 2137-1271

domingo, 21 de junho de 2015

ENTREVISTA COM SUSANA RIBEIRO E MARCELO VALLE, DA CIA DOS ATORES

A entrevista de hoje é com a atriz e diretora Susana Ribeiro e o ator Marcelo Valle, ambos da consagrada Cia. dos Atores, uma das três companhias de teatro residentes da Sede das Cias. Eles vão ministrar oficinas de teatro aqui e é sobre isso, entre outras coisas, que vamos conversar.

Dia 22 de junho começa a oficina "Transposição e construção da cena a partir do livro Por que Almocei meu Pai, de Roy Lewis" que a Susana Ribeiro ministrará junto com o ator Orã Figueiredo. E é com ela que a gente começa esse bate papo.

Laura Limp: Oi Susana, tudo bom? Conta pra gente de onde surgiu a ideia desta oficina e desta parceria com o Orã.

Susana Ribeiro:     Oi Laura, tudo bem? Obrigada pela oportunidade de falar um pouco sobre a oficina que vamos dar. Essa idéia surgiu de um encontro que tive com Orã e Camila Amado, há uns dois anos. E neste encontro tocamos em temas que nos interessavam. Desses temas surgiram alguns textos e entre eles, o livro "Por que almocei meu pai” que o Orã trouxe. Eu li e adorei. E fiquei com ele na cabeça por um tempo. Depois resolvi retomar o assunto e convidar o Orã pra essa investigação.


LL: Como vai funcionar a oficina? Sabemos (já pelo título) que o trabalho é todo a partir do livro, que aliás, é leitura obrigatória antes de começar o curso. Fale um pouco sobre o livro e o por quê da escolha dele.

SR: A escolha veio de ter me encantado com o universo que o livro descreve e com o tom escolhido pelo autor pra contar aquela história. Vi ali conhecimento científico e antropológico de uma forma leve, engraçada e afetuosa. Achei que dava muito material pra o jogo teatral.

LL: Vocês tem um método de trabalho pré concebido ou vão descobrir o caminho a seguir de acordo com a turma que se formar?

SR: Acho que temos um ponto de partida que já norteia bastante nossa investigação, mas não sabemos no que isso vai dar. A idéia da oficina é  justamente descobrir um possível caminho a partir do  que  a turma trouxer e produzir durante os encontros.

LL: A oficina é voltada para atores profissionais, dramaturgos e interessados no desafio da transposição da literatura para a cena. É bem amplo. O que vocês pretendem com a oficina? É pesquisa para algum futuro trabalho?

SR: A ideia é discutir dramaturgia a partir da prática. Desenvolver uma escritura cênica com os atores através de exercícios de improvisação e composição, tendo como base o texto do livro, e registrar o que surgir dessas  experiências. Não queremos nos comprometer com um resultado ou uma finalidade. A idéia por enquanto é só investigar mesmo, livremente, e levantar as possibilidades.

LL:  Quais os seus planos profissionais para 2015? 

SR: Estou sendo convidada para dirigir, o que me deixa muito feliz. Tenho vontade de me desenvolver mais nessa função, que dentro da minha trajetória  profissional ainda é uma prática bastante recente. Como atriz tenho projetos em teatro e cinema, mas nada que eu possa nomear agora. Estamos no momento anterior de criação e captação. Bico calado, dedinhos cruzados!

Susana Ribeiro e Bel Gracia recebendo o Prêmio Cesgranrio
de melhor direção por "Conselho de Classe


LL: Pra quem não sabe, a Susana Ribeiro dirigiu junto com a Bel Garcia o premiadíssimo espetáculo da companhia chamado CONSELHO DE CLASSE que, entre outros prêmios, levou o de melhor direção tanto no Prêmio APTR quanto no CESGRANRIO. O espetáculo continua em cartaz? Existem outros projetos da companhia em que você esteja envolvida no momento? 
SR: Sim, Conselho de Classe ainda está de pé. O espetáculo tem bastante fôlego ainda. Estará se apresentando em Goiânia neste final de mês e esperamos voltar à São Paulo para uma nova temporada, assim como circular por este Brasil afora. A Cia dos Atores também está captando recursos para a digitalização do nosso acervo e estamos iniciando conversas e encontros para falarmos de nossos desejos artísticos. É um momento de estudo, de troca, que tá sendo muito bom.



Foto de divulgação do espetáculo Conselho de Classe

LL: Como é o seu processo particular de trabalho, como atriz? E como diretora? Tem diferença ou é complementar?

SR: Depende do trabalho, mas em comum entre eles é a minha tentativa de construir a partir das relações. Nesse sentido ser atriz ou diretora não faz muita diferença, já que o que estou tentando fazer o tempo todo é relacionar, pra produzir através dessas relações, a cena. 

LL: Como é isso de dividir a direção? 

SR:  Muito bom. Já vivi essa experiência quatro vezes: com a Cristina Moura, com o Paulo José, com o Cesar Augusto e com a Bel Garcia. Quando tenho uma boa interlocução me enriqueço e a pressão é dividida, o que me ajuda bastante  a criar em paz. Obviamente que essa parceria tem que rolar, senão é melhor fazer sozinho. Rs

LL: Se você pudesse dizer apenas uma coisa pra quem está começando a estudar teatro, o quê seria?

SR: Escute, se relacione, se apaixone e se deixe levar. Quanto menos você resistir, mais vai encontrar!

Laura Limp: Oi Marcelo, tudo bom? Vamos lá! A sua Oficina de Treinamento de Ator começa no dia 10 de agosto na Sede. Ela é voltada para atores iniciantes e profissionais? Qual o objetivo da oficina?

Marcelo Valle: Oi Laura, tudo bem? Na verdade, minha oficina é voltada para atores profissionais, ou, no mínimo, que estejam adiantados em alguma escola de formação. O objetivo da oficina é treinamento. Eu venho de uma temporada de estudos de técnicas de atuação em Madrid e quero trocar experiências com os atores. No futuro, pretendo ter um grupo fixo, em que eu possa aprofundar essa investigação e chegar a cena propriamente dita.

LL: Alguns pontos de foco do trabalho são o relaxamento, imaginação, presença, disponibilidade e critério. Por que esses pontos específicos? Como você vai trabalhar com os alunos? Qual seu método de trabalho?

MV: Cada um desses pontos, e ainda muitos outros, serão foco da oficina. Em duas semanas eu não consigo me aprofundar nos conceitos, mas pretendo dar uma boa pincelada e através de muitos exercícios, para que o ator possa começar a ter um arsenal de ferramentas que o ajude a atuar. 

Bem, relaxamento é o fundamental, é o início de tudo, pois tenso nada que venha do ator pode ser desfrutado, nem por ele, nem pelo público. Depois, os outros conceitos fazem parte do alfabeto da linguagem cênica, no que tange o trabalho do ator. A oficina é de técnica, treinamos a técnica para ajudar na cena, principalmente quando não estamos inspirados. Existe uma ideia de que o ator depende de inspiração para fazer um bom trabalho. Na verdade, como trabalhamos com arte, a inspiração é realmente muito bem vinda e faz muita diferença, mas o domínio da técnica nos ajuda a atrair inspiração.

LL: O que o ator precisa para trabalhar com mais liberdade e criatividade?

MV: Confiança e critério, para fazer as escolhas certas. Ou seja, Técnica! (risos)

Foto de divulgação do monólogo LABORATORIAL
LL: Faz pouco tempo, você fez um monólogo, na comemoração de 25 anos da companhia, chamado LABORATORIAL. Fale um pouco sobre o espetáculo e sobre o seu processo de trabalho como ator.

MV: Esse foi um processo ímpar, pois a dramaturgia flertava com a performance e com as artes plásticas, então, foi um grande experimento. Provavelmente eu, Cesar, Diogo e Simon (os criadores) vamos nos reunir em algum momento numa sala de ensaio, para continuar a pesquisa relacionada ao trabalho. Esse trabalho desenvolvido em Laboratorial tem, não como resultado, mas principalmente como processo, muito em comum com o que vou tratar na oficina, pois se trata de um trabalho bastante autoral. Na oficina, vamos olhar muito pra essa questão da personalidade do trabalho do ator, ou seja, tornar o ator único, com opções absolutamente pessoais.

LL: Na sua opinião, porque tão poucos atores se arriscam em um monólogo? O quê é que assusta tanto? O que é importante ter em foco?

MV: Não é fácil fazer monólogo, não ter o outro ator ao lado é árduo, mas eu acho que todos os atores deveriam passar por essa experiência, pois há um crescimento muito grande dentro desse tipo de trabalho. Você precisa estar ligado ao todo, ter capacidade de se superar se for necessário. Acho que o que é importante é ser autoral, é querer falar verdadeiramente sobre o assunto tratado. Isso faz a diferença e novamente esbarramos na questão da pessoalidade no trabalho do ator.

LL: Algum novo projeto em vista com a companhia? Quais seus planos profissionais para 2015?

MV: Sim, temos projetos juntos, que giram em torno da Sede. Desde que a sede da Cia dos Atores se transformou na Sede das Cias, nós nos afastamos um pouco da casa, a fim de tomar um fôlego e dar liberdade pros Dezequilibrados e Pangéia poderem desenvolver seu trabalho ali, pra que eles se sentissem em casa. Isso já aconteceu, agora vamos ocupar um pouco o espaço junto com eles. Queremos desenvolver o nosso site, dar oficinas e fazer uma mostra de cenas, com pesquisas e debates.

LL: Você atualmente interpreta o Wilson, tanto na série O PASSADO ME CONDENA quanto no filme. Quais as principais diferenças entre a atuação na tv, cinema e teatro pra você. E o que mais te atrai?

A essência é a mesma. Claro, como a mídia é completamente diferente, a forma de fazer é distinta também. A principal diferença já se sabe: A TV tem um ritmo frenético, o cinema, uma subjetividade e o teatro conserva o processo de experimentação e pesquisa. Muito bom é que ultimamente, a TV e o cinema têm se valido de processos mais representativos.

Cia dos Atores
LL: Como vocês conciliam a companhia e seus trabalhos fora dela, projetos pessoais, cursos e ainda os trabalhos na TV?

MV: A Cia dos Atores vai fazer 30 anos juntos. Acho que só conseguimos trabalhar tanto tempo juntos pela admiração que temos um pelo outro e pela liberdade que temos de trabalhar fora da Cia. O trabalho em companhia é uma opção e não a falta dela. Então, conciliar fica mais fácil, quando parte do desejo. Agora, às vezes, não conseguimos fazer um trabalho que gostaríamos muito, mas assim é a vida, ganhamos e perdemos a todo instante.

LL:  E você, se pudesse dizer apenas uma coisa pra quem está começando a estudar teatro, o quê seria?


MV: Comece seus estudos com critério. Faça as eleições certas, de escola principalmente. E se dedique a estudar de verdade, sempre atento ao seu próprio processo. Da mesma forma como atualmente se demanda um envolvimento pessoal, muito particular do ator ao atuar um personagem, por isso mesmo, cada ator descobre o seu processo, que é distinto. Cada um terá, por exemplo, uma gama de exercícios e práticas que o colocará em estado para atuar. A cada dia será diferente, pois a cada dia o ator está diferente. Consciência que existe técnica para apoiar o talento e sustentar a vocação.

Bom, a conversa fica por aqui. Mas quem quiser saber mais e aprender com esses dois que tem MUITO a ensinar, já sabe... Corre e se inscreve nas oficinas!

Amanhã começa a da Susana Ribeiro com o Orã Figueiredo. Não perca tempo! 
Saiba mais aqui no evento: http://on.fb.me/1GgKhiG

Pra saber sobre a oficina do Marcelo Valle, acesse: http://on.fb.me/1LdVINR

BOM DOMINGO!